“Passados cinco anos existe menos Pombal e Pombal está pior”

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Residente em Almagreira, onde é membro da assembleia de freguesia, Pedro Pinto é, desde há poucos meses, o novo presidente da Concelhia de Pombal do CDS. Bancário e formador profissional, o centrista encontra-se a concluir a licenciatura em Ciências Sociais, com especialização em Ciência Política e Administrativa. Tem um percurso ligado ao associativismo, com o seu nome inscrito em diversas direcções de colectividades e associações, de âmbito social, cultural e desportivo, com destaque para a Associação de Pais de Pombal, da qual foi co-fundador e seu primeiro presidente.

Pombal Jornal (PJ) – A sua eleição para liderar a Concelhia do CDS foi resultado de um processo natural, uma vez que era vice-presidente da direcção anterior?
Pedro Pinto (PP) –
Digamos que é a continuidade de um projecto que se iniciou em 2013, quando o CDS entrou nas eleições Autárquicas desse ano. Daí que, sim, a eleição desta nova Concelhia foi um processo natural.

PJ – A implementação do partido em Pombal tem sido um trabalho difícil?
PP –
Pombal tem uma característica que se tem vindo a transformar numa situação recorrente, que é estar demasiado bipartidarizado. E o CDS foi um projecto que veio trazer alguma inovação. A intenção foi também democratizar aquilo que se estava a passar. Ou seja, havendo apenas duas forças concorrentes numas eleições, uma delas ganhando, era sinónimo de maioria absoluta. A Concelhia anterior tinha como objectivo confundir, no bom sentido, as contas para a constituição dos diversos órgãos autárquicos no concelho, e esse é um objectivo que vamos manter e melhorar.

PJ – Apresentou-se tendo como principal bandeira o “despertar de consciências”. Que bandeira é esta?
PP –
Naturalmente que para construir uma alternativa, o CDS tem claramente de assumir uma posição de uma forma absolutamente desinibida, frontal e construtiva. Mas, assumir definitivamente o papel que lhe foi confiado pelos eleitores. Através da eleição dos nossos representantes, disseram-nos que queriam que fossemos oposição nos diversos órgãos autárquicos onde estamos representados, e a oposição tem de ser feita de forma construtiva, apresentando ideias concretas para o concelho de Pombal no seu todo. Para tal, temos de despertar consciências e afirmar que Pombal tem de ir muito para além do que tem sido nos últimos anos. Tem havido um esvaziar de dinamismo, temos perdido população, temos perdido empresas, emprego, jovens e massa crítica. O desafio do CDS é relançar todos esses padrões para que Pombal seja capaz de reter os seus talentos, a sua capacidade de pensar, a capacidade de investir, para que não seja necessário ir para fora do concelho, ou para o estrangeiro, para se ter sucesso.

PJ – Como pretende implementar esse processo?
PP –
É um processo que passa por várias fases. A primeira fase é ouvir, tentar perceber os problemas reais da população, as suas expectativas, para que possamos construir o que queremos que seja a nossa acção e, em sede própria, apresentá-la a quem de direito. Não há nada melhor que ir ouvir a própria fonte. Ou seja, despertar a consciência do eleitorado para que não oiça o que sempre ouviu: o que foi feito, foi o possível. Para isso, reconheço que temos de criar alguma empatia com o eleitorado e dizer que existimos.

PJ – Este mandato autárquico está com praticamente um ano cumprido. Que balanço faz desta gestão de maioria social-democrata?
PP –
O Município de Pombal não pode estar orgulhoso do que tem para mostrar depois de um ano de mandato. O actual executivo, que resulta de uma reeleição, teve dois slogans engraçados, um deles era ‘Mais Pombal’ e o outro foi ‘Pombal Melhor’. Passados cinco anos, existe menos Pombal e Pombal está pior. Está pior em todas as áreas… é fácil perceber que o concelho tem sido gerido de uma forma pouco cuidada, tem sido gerido em função da navegação da maré, porque aquilo que quem está no poder tem feito, é reagir, quando aquilo que se pretende de um executivo é que que seja o impulsionador do desenvolvimento em todas as áreas. Efectivamente, o CDS dá nota negativa ao primeiro ano de mandato e nos cinco anos de executivo liderado por Diogo Mateus.

PJ – Mas não é bem isso que os eleitos do CDS têm passado nas assembleias municipais…
PP –
Repare, o CDS tem vindo a recrutar muita gente proveniente da sociedade civil. Pessoas que não são políticos de carreira, nem formados pelas “jotas”, são pessoas que têm uma consciência formada por uma experiência pessoal, e temos de respeitar, a cada momento, essas mesmas convicções pessoais, que por vezes são mais visíveis. Naturalmente, que os eleitos do CDS resultam de um processo com afinidades a uma outra Concelhia. Esta direcção respeitará o passado, mas tentará melhorar no futuro.

PJ – E quanto aos eleitos nas várias freguesias. Têm tido o acompanhamento do partido?
PP –
O CDS prepara as assembleias de freguesia e tem dado todo o apoio aos seus eleitos, sendo que, o que se pretende é que os eleitos sejam os porta-vozes deste novo mote de construir uma alternativa… claramente que vamos trabalhar para que seja mais visível esse trabalho de articulação. Mas posso garantir que as populações têm ganho com as nossas participações, temos deixado um selo de qualidade.

PJ – Portanto, autarcas de qualidade que poderão continuar a trabalhar em 2021 pelo partido…
PP –
Nas últimas autárquicas, conseguimos captar as pessoas disponíveis e mais válidas em termos da sociedade civil. Pessoas que sentem no dia-a-dia o que é viver em freguesias com pouco dinamismo, com recursos a reduzirem-se diariamente, em territórios que não conseguem captar nem população nem empregabilidade, nem as infra-estruturas necessárias. Pelo que a ideia é continuar com as mesmas equipas, podendo ser feito um ajuste, aqui e acolá em função da vida que cada um terá em 2021. O objectivo principal é ganhar, não sendo possível, é alcançar o melhor resultado possível. Garantidamente que apresentaremos candidatos fortes e capazes de se apresentarem como uma alternativa credível.

PJ – O CDS tem condições para crescer e se afirmar no concelho?
PP –
Não só tem condições, como é absolutamente necessário que o consiga fazer. É necessário que as pessoas confiem no CDS para que a democracia funcione ainda melhor. E podem confiar no partido como uma alternativa credível. A ambição, e a intenção, é voltarmos a apresentar candidaturas em todas as freguesias do concelho. Temos a expectativa que o cenário atípico que se verificou nas eleições de Outubro de 2017, com a candidatura do anterior autarca do PSD como independente, se regularize. Repare que existe neste momento em Pombal a ausência de uma estrutura partidária que se possa apresentar ao eleitorado com força necessária para assumir o poder com determinação necessária para mudar o pouco que existe. Seguramente que a equipa fantástica que dirige actualmente o CDS de Pombal não vai defraudar as expectativas de quem confiou, e vai confiar, em nós.

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Ingressou no jornalismo, em 1989, como colaborador no extinto “Pombal Oeste” que foi pioneiro na modernização tecnológica. Em 1992 foi convidado a integrar a redacção de “O Correio de Pombal”, onde permaneceu até 2001, quando suspendeu a profissão para ser Director de Comunicação e Marketing de um grupo empresarial de dimensão ibérica. Em 2005 regressou ao jornalismo, onde continua, até aos dias de hoje, a aprender. Ao longo destes (largos) anos de actividade, atestados pelo Carteira Profissional obtida em 1996, passou por vários jornais, uns de âmbito regional e outros nacional, onde se inclui o “Jornal de Notícias” e “Público”. Foi convidado a colaborar, de forma regular, com o “Pombal Jornal” onde se produz conteúdos das pessoas para as pessoas.