Oh da Praça: “O que fizemos aqui foi amor”

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Pretendia chamar à atenção para a importância da zona histórica da cidade através da música e da cultura. O Festival Oh da Praça realizou-se a 31 de Março, e pode dizer-se que foi amor à primeira vista.

A meteorologia apontava para dias chuvosos, mas tenho para mim que Pedro Pimpão, presidente da Junta de Freguesia de Pombal, deve ter intercedido junto do seu homónimo para que o dia fosse solarengo, como se querem os dias de Primavera. As actividades previstas no âmbito das comemorações do Dia Nacional dos Centros Históricos foram brindadas com uns raios de sol e a população ouviu o grito de chamada.
Se a fogaça gigante juntou pequenos e graúdos à volta da mesa para uma degustação bem açucarada, se o peddy papper decorreu sem grandes sobressaltos, se a Noite de Fados voltou a ser um sucesso, e se o Festival Oh da Praça teve honras ‘tempestícias’, do mesmo não se podem gabar os gaiteiros que acorreram a Pombal para o I Encontro Nacional, o evento teve de ser relocalizado devido ao mau tempo, mas o Café Concerto serviu perfeitamente de palco para estes apaixonados pelas tradições populares.
No sábado o dia foi de amor, “o que fizemos aqui foi amor: amor pela música, amor pela cultura, amor pelas artes e de amor por Pombal”, afirmou Vasco Faleiro, da organização, no final da noite, e depois do concerto de Rapaz Improvisado, onde o improviso não esteve só no nome que Leonel Mendrix utiliza para se apresentar, mas também no próprio concerto.
O que inicialmente poderia ser apenas mais um concerto do Rapaz Improvisado foi na verdade um “momento mágico”, que contou com a colaboração ‘improvisada’ do músico Vasco Faleiro, que juntou uma “carrada de ferro velho” e tratou da percussão, e do guitarrista Joel Madeira. “Sem ensaios”, o que podia ser uma manobra de risco, foi um início de noite que deixou um gosto doce na boca. De fora vieram os Daily Misconception, com uma electrónica arrojada e que pedia uma ‘abanar de ancas’, e os conimbricenses – e ‘sensualões’ – A Jigsaw, com a participação especial de Tracy Vandal, que encheram o Celeiro do Marquês de boa música, e de muito público.
“Ver esta sala cheia só me faz acreditar que na minha terra natal, afinal é possível viver uma cultura menos mainstream/popular nas ruas da cidade” e que existe “muita gente interessada”. O festival “histórico” deu o pontapé de saída, pela primeira vez, este ano, mas Leonel Mendrix acredita que “temos todos os ingredientes para crescer e para ir mais longe”.
Pelas quatro principais praças do centro histórico da cidade passaram uma dezena de bandas, com projectos pombalenses e de fora. Ficam as fotografias para relembrar como foi um dia bonito, resta esperar por uma segunda edição. Ou terceira. Ou décima.

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Nasceu em 1985, estudou Comunicação Social na Escola Superior de Educação de Coimbra e participou num curso de formação em Jornalismo e Crítica Musical. Passa os dias a ouvir música, adora assistir a concertos e sonha viajar pelo mundo com uma mochila às costas.