“Não são os prémios que nos movem: são as pessoas”

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Há 38 anos, quando criou a Silva e Santos, Manuel Santos nunca imaginou a dimensão que a empresa que iria alcançar. Tinha 29 anos e fez uma aposta arriscada, que deu origem a um sólido grupo, que espera continuar a crescer nos próximos anos.

“Com certeza que me sinto orgulhoso de aquilo que fiz”, admite o fundador da Silva e Santos. Decidiu aventurar-se pelas margens do Rio Sena, em França, onde começou a trabalhar nas oficinas da Renault. Por lá aprendeu muito do que sabe ainda hoje, e não automóvel que lhe esconda segredos. Com o passar dos anos foi evoluindo na carreira, tornou-se chefe de um departamento mecânico dessa empresa, mas com o passar dos anos sentia “falta da minha casa, da minha terra, e da nossa vida em Portugal”, resolveu regressar a Pombal, onde “iniciei uma pequena empresa de comercialização de automóveis, e de reparações mecânicas”.
Pelo meio casou, foi pai de três filhos, e construiu um império no ramo automobilísticos que não pára de crescer. “Quando estamos em baixo queremos vir para cima. Quando chegamos cá acima, pensamos se tudo valeu a pena”, Com certeza que “me sinto orgulhoso de aquilo que fiz, mas agora sinto-me bem, sinto-me tranquilo. Tenho tido uma gestão realista que me deixa tranquilo. Isso é o mais importante”.
Mesmo sentindo que “não tive uma influência directa na escolha que os meus filhos tiveram nos seus percursos estudantis e profissionais”, Manuel Santos não esconde o “orgulho que tenho em saber que os meus filhos também estão empenhados em continuar com o negócio”. Para além das duas filhas que se encarregam da gestão financeira, e das áreas da comunicação e do marketing, e do filho, que gere as esquipas mecânicas, na empresa trabalha ainda a esposa, e outros familiares.
“Há sempre desvantagens numa empresa familiar”, admite, “no nosso caso, há dois tipos de relacionamento que temos: um como pai e filhos, e outro como gestores. Às vezes chocamos como empresários, mas os bons resultados estão à vista e tentamos sempre superar as nossas diferenças de pensamento”, confidencia.
“Gosto de pensar que somos uma empresa familiar”, não só por ter a família a colaborar directamente na expansão da Silva e Santos, mas também porque “fazemos questão de ter um bom ambiente de trabalho”, onde os trabalhadores são valorizados pelas competências que apresentam, e pela antiguidade que conseguem atingir na ‘casa’: “é importante dar segurança aos funcionários, por isso não gostamos de andar a alterar as equipas, preferimos manter os bons colaboradores que temos”.

“Tenho muitos clientes que são agora grandes amigos, que vestem a camisola da empresa e de quem eu sinto as dores quando têm problemas”
Para além dos bons trabalhadores, “que também são amigos”, existem outros que entram como clientes e saem como “companheiros para a vida”, afirma, “tenho muitos clientes que são agora grandes amigos, que vestem a camisola da empresa e de quem eu sinto as dores quando têm problemas” e vai mais longe: “quando as relações humanas são boas e honestas, isso tem muitas vantagens. A partir de uma certa altura as questões financeiras passam para segundo plano. Às vezes, quando eu vou visitar as empresas dos meus amigos não estou interessado em falar de negócios. Vou é falar como amigo”.
Prestes a completar 67 anos de idade, “já me dou ao luxo de entrar um pouco mais tarde na empresa: antigamente era o primeiro a entrar e o último a sair”. E dedica-se “à agricultura biológica”.
Recentemente, a empresa venceu mais um prémio, coisa a que Manuel Santos já se habituou. Desta vez a empresa arrecadou o “Prémio Clube Excelência Renault 2017”, e que dá destaque aos 20 anos de liderança da marca em Portugal. Com a empresa prestes a celebrar 38 anos de existência, Manuel Santos garante que “não são os prémios que nos movem: são as pessoas, e a nossa vontade de servir os clientes de forma exemplar”, garante. Claro que os prémios “são agradáveis de receber, mas é ainda mais importante chegar a casa com o sentimento de dever cumprido”, remata.

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Nasceu em 1985, estudou Comunicação Social na Escola Superior de Educação de Coimbra e participou num curso de formação em Jornalismo e Crítica Musical. Passa os dias a ouvir música, adora assistir a concertos e sonha viajar pelo mundo com uma mochila às costas.