Miss Cat e o Rapaz Cão: Quem ladra, quem mia?

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Catarina Trocado Marques é a Miss Cat, uma felina com voz endiabrada, e ele é Leonel Mendes, o Rapaz Cão que a atiça com os seus instrumentais ora mais suaves, ora mais duros. Os dois juntos agarram-nos e atiram-nos para uma viagem de profundas sensações. Acabaram de lançar um álbum: Mia e Ladra.

Miss Cat e o Rapz Cão
Em palco Catarina Marques e Leonel Mendes são Miss Cat e o Rapaz Cão

Quando Leonel Mendes foi convidado pelo Teatro Amador de Pombal, com quem sempre se relacionou, a participar num espectáculo, estava longe de imaginar que um dia viria a ser conhecido como o Rapaz Cão. “Os actores foram convidados a cantar um cover e eu tocava”. Já conhecia a maior parte dos elementos, mas “quando a ‘Cat’ começou a cantar dois temas de PJ Harvey, percebi que havia ali uma ligação muito forte com ela”, relembra.
Passaram sete anos, e vários projectos pelo meio, mas sem nunca desistirem da paixão que os unia na música, iniciaram-se nos covers, mas “naturalmente” sentiram a necessidade de começar a compor. Ao que parece, e ao que a dupla afirma, tudo neste projecto surge “naturalmente”. A ligação nas primeiras músicas partilhadas. A necessidade da composição própria. A fluidez do nome escolhido: Miss Cat e o Rapaz Cão. A ideia de gravar um álbum. O videoclip. A sensualidade dos sons. Tão natural que se sente ao primeiro som.
Depois de assegurarem parte do investimento na produção e na gravação do álbum a que viriam a chamar ‘Mia e Ladra’, a dupla pombalense viu-se “sem capacidades financeiras para continuar com o processo” resolveram criar uma campanha de crowdfunding para ajudar a “tornar realidade o lançamento do álbum em formato físico”. Para quem não está dentro do assunto este ‘palavrão’ representa a forma de “obter angariação de financiamento para um projecto através de uma comunidade que partilha os mesmos interesses”. O objectivo passava por angariar 1 100 euros. Conseguiram 1 480. É necessário dizer que “correu muito melhor do que o previsto”?
Ao todo foram seis dezenas de pessoas a contribuir: uns amigos, outros conhecidos, a até anónimos. E a dupla relembra o caso de uma “doação no valor de 247 euros”, de um desconhecido. Desconfiam quem seja, mas preferem manter a descrição.
Objectivo atingido: sonho realizado. “Quando os fui buscar vi-lhe logo defeitos”, mas isso é porque são perfeccionistas. Defeitos à parte “foi uma sensação incrível”. Afinal tinham sido quase sete anos de espera. Para Cat, “foi como segurar um filho”.
Começar a ouvi o trabalho destes dois é um perigo. Assim que entra no ouvido, começamos a viajar num filme dramático, onde a carga sensual nos envolve de rompante, e parar não é nada fácil. Diz quem já os viu ao vivo que as sensações que vão passando do palco para a plateia, e da plateia para o palco são inesquecíveis.
Não gostam de ser categorizados, preferem “não ser rotulados” e assumem-se como musicaholics – esta palavra existe? – ouvem de tudo, gostam de muita coisa, mas têm um fraquinho por Pj Harvey, Tom Wais, Tinderstics ou Mazzy Star. A pensar nos concertos ao vivo, a dupla integrou três músicos: Gonçalo Parreirão na guitarra, Joel Madeira no baixo e Bruno Figueira no clarinete, sendo que este último “vai andar ausente nos próximos tempos devido a compromissos profissionais”, e “já estamos a integrar um baterista”, que provavelmente vai ser apresentado no Cabaret, em Abiul, no próximo concerto que vão dar.
Já tocaram um pouco por todo o país, gostam de ser independentes e de gerir as suas próprias agendas, mas sonham com salas como “o Sabotage, em Lisboa, a Casa da Música, no Porto, ou o Theatro Circo, em Braga”. Os álbuns estão à venda e só foram feitos 333, “pela simbologia do número: que significa mente aberta, perfeição e cumplicidade”, foram numerados manualmente e daqui a uns anos vão valer ‘uma pipa de massa’. É ouvir.