Jovem pombalense faz voluntariado no Líbano

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Os próximos seis meses vão ser passados em Beirute, no Líbano. João Silva está a participar numa missão de voluntariado junto de refugiados sírios. Da experiência, o jovem espera trazer “uma grande aprendizagem pessoal e interpessoal”.

Aos 25 anos, o jovem pombalense, licenciado em Relações Internacionais pela Universidade de Coimbra, fez as malas e rumou até ao Líbano para participar numa missão de voluntariado onde contacta com refugiados sírios. Não são seis meses de voluntariado: são 180 dias, como gosta de explicar. A razão é simples, “por aqui vive-se um dia de cada vez”.
O gosto pelo voluntariado não é recente, e até na escolha do percurso académico essa vertente mais humanitária esteve sempre presente. “Escolhi licenciar-me em Relações Internacionais pela vertente humanitária que poderia seguir no futuro”, após a conclusão desta etapa optou por fazer uma pós-graduação em Gestão de Informações e Segurança na Universidade Nova de Lisboa, que lhe fez despertar ainda mais o interesse pela região do Médio Oriente.
O primeiro contacto com a área do voluntariado que João Silva teve foi na Islândia, “numa quinta centrada na atividade pecuária”, posteriormente teve a oportunidade de frequentar um estágio no âmbito do programa Inov Contacto, que o levou até ao Irão, onde assumiu funções no escritório da AICEP Teerão, integrado na Embaixada de Portugal no Irão. Foi por lá que se apaixonou pelo Médio Oriente, e foi essa experiência que o influenciou a participar no programa de voluntariado europeu em que está inserido neste momento, o European Union Aid Volunteers Initiative, e que tem como principal intuito formar profissionais na área humanitária e financiar Organizações Não-Governamentais (ONG’s) para o envio de voluntários em projectos humanitários.
Quando chegou ao Líbano “já sabia o que ia encontrar, mas por mais que a teoria nos prepare, a realidade é sempre muito diferente”. Actualmente “o Governo estima que existam cerca de 1,5 milhões de refugiados sírios no Líbano, mas não vivem apenas em campos de refugiados”, a maior parte está estabelecida na periferia das grandes cidades. Só o Gruppo di Volontariato Civile (GVC), a ONG italiana que o jovem pombalense representa, tem atualmente vários programas em andamento no país e que abrangem cerca de 400 campos de refugiados, que acolhem mais de 16 000 pessoas. Um número “assustador”.
Enquanto estiver em Beirute, João Silva vai responsabilizar-se por áreas “mais burocráticas, e não tanto de contacto directo com refugiados sírios”, no entanto “já visitei vários campos e já contactei directamente com famílias que se encontram no Líbano com estatuto de refugiados de guerra”.
Até Outubro o jovem vai estar integrado nas várias actividades da ONG, sendo que os projectos humanitários que estão a ser implementados neste momento se centram sobretudo em três eixos de acção muito importante: “protecção dos refugiados, educação, e acesso a água e a condições sanitárias e de higiene”.

“Tudo em nosso redor nos faz pensar em nós próprios e na nossa forma de pensar e de ver a vida”

João Silva explica que um dos projectos em que já teve oportunidade de participar prende-se com a instalação de pontos de água potáveis nos campos de refugiados, e revela o cenário que por lá se vive: “estes campos são muito diferentes dos europeus, aqui os campos de refugiados sírios são, na maioria da vezes, ocupações de terras pertencentes a um senhorio, que lhes dá acesso a água, energia e algum dinheiro, em troca de trabalhos agrícolas”, o problema é que “nem sempre é assim tão linear, e muitos refugiados não têm acesso a água potável, a cuidados médicos e a condições mínimas de higiene e segurança”.
Quando questionado sobre as aprendizagens que espera retirar desta experiência humanitária, João Silva não tem dúvidas: “tudo em nosso redor nos faz pensar em nós próprios e na nossa forma de pensar e de ver a vida”. Numa “sociedade de consumo desenfreado, onde a sociedade é cada vez mais infeliz, é incrível perceber que há pessoas que mesmo não tendo nada são tão alegres”, e relata “as crianças a correr, felizes!”
A pensar no futuro, o jovem prepara-se para começar a aprender árabe, até porque “gostava de me manter no Médio Oriente depois desta experiência”.

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Nasceu em 1985, estudou Comunicação Social na Escola Superior de Educação de Coimbra e participou num curso de formação em Jornalismo e Crítica Musical. Passa os dias a ouvir música, adora assistir a concertos e sonha viajar pelo mundo com uma mochila às costas.