Guinness: Rodilha de seis metros quer ser a maior do mundo

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Para Isilda Duarte não há tecido que lhe tenha segredos. A mãe ensinou-lhe a arte de confeccionar rodilhas, e a costureira apanhou-lhe o jeito de tal forma que decidiu elevar o patamar. Há seis anos que projecta uma rodilha gigante, com a qual vai concorrer ao Livro de Records do Guinness.

Para aqueles que nasceram no século XX, não será difícil lembrar o que é uma rodilha (ou “sogra”, como também é conhecida): uma pequena almofada em forma circular, aberta no centro, ou um simples pano enroscado em que assentam os objectos que se levam à cabeça. As mais elaboradas eram feitas de trapos e linhas de bordar, entrançadas e bordadas. Com o passar dos anos, este pequeno objecto deixou de ter uma tarefa funcional, e passou a ser utilizado como peça decorativa. Isilda Duarte, costureira “há 39 anos”, decidiu elevar o patamar, e encontra-se a produzir uma “rodilha gigante”, que a pode levar a entrar para o desejado livro de records do Guinness.
Com dois metros de diâmetro, e 6,3 metros de perímetro, esta rodilha está a ser projectada desde 2012: “na altura já fazia algumas rodilhas, umas mais pequenas, outras maiorzinhas, mas foi numa feira de artesanato, na Marinha Grande, que um amigo me sugeriu que criasse uma especialmente para o Guiness”, depois de ponderar, resolveu arregaçar as mangas.
Na altura “atravessava uma fase complicada na minha vida, e estava a lutar contra uma doença, precisava de alguma coisa que me distraísse e que me desse alguma motivação”, revela. Fez e desfez o molde “pelo menos seis vezes”.
Nas primeiras “quatro vezes não acertava com o tecido que suporta a estrutura: algumas ficavam tortas, outros tecidos não lhe davam a consistência necessária, e ficava toda deformada”. Depois de encontrar o material mais adequado, ainda teve que “refazer tudo mais duas vezes, porque não ficava mesmo redonda”. Quando ultrapassou esta etapa, começou a idealizar os “desenhos” decorativos, em papel quadriculado, e à escala, posteriormente foi a vez de escolher as cores e os tecidos que lhe vão dar alegria, num entrelaçado entre fitas coloridas e pretas, num design “pouco habitual”, e que pensa em patentear. No total são mais de 200 metros de tiras pretas, e 80 de fitas coloridas, cada uma com cerca de 5 centímetros de largura.
O início do processo de decoração desta rodilha gigante arrancou durante o festival “De Volta à Praça”, que se realizou a 1 de Maio, na Praça Marquês de Pombal, e espera-se que seja finalizado durante do Festival Pombalino, que acontece no mesmo local, entre 18 e 20 de Maio. “Vou estar a trabalhar durante o evento, para mostrar às pessoas esta arte”. Conta com a ajuda da irmã: “era impossível trabalhar sozinha, tem que estar uma pessoa dentro da rodilha, e outra por fora”. É que com estas dimensões não é fácil manusear esta obra de arte.
No que diz respeito à candidatura ao Guinness, Isilda Duarte está em contacto com “Carlos Vieira, ele próprio com records autenticados pelo Guinness, que já sabe como se desenrola todo o processo”, e que “dá um apoio fundamental nesta parte mais burocrática, da qual não tinha bem a noção de como fazer”, mas espera que até ao final do ano todos os procedimentos estejam concluídos.
Depois de seis anos em estudo, provas, e concretização, Isilda Duarte já tem “duas propostas de locais para que fiquem em exposição”, mas assume que “só depois de estar concluída é que “volto a pensar nisso: claro que quero que fique exposta num local onde possa ser apreciada”, no entanto “preciso de ponderam e escolher o que pode ser melhor para mim e para o público”. A família é uma das maiores entusiastas da costureira: “deram-me muito apoio e motivação, as minhas filhas estão sempre a falar do assunto, e querem muito vê-la terminada”. Querem elas, e quer a população em geral, que estará certamente entusiasmada em conhecer o processo de execução de objecto desta natureza.
Diz o ditado popular que “quem não pode com o pote, não pega na rodilha”, neste caso é o contrário: o pote é leve, a rodilha é que pesa!