Forging: a Startup quer reduzir desperdícios e revolucionar a industria

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No admirável mundo novo das tecnologias, e da tão almejada indústria 4.0, nunca o empreendedorismo foi tão incentivado. Todos os dias nascem novas ideias de negócio, e com elas surgem as startups. A Forging, sediada no Parque Empresarial do Camporês, em Ansião, é um desses exemplos de empreendedorismo, estivemos à conversa com o seu fundador, Rui Lopes, que em tom de brincadeira afirma que o objectivo desta empresa é “acabar com a fome no mundo”, pode não ser uma tarefa fácil de realizar, mas quer pelo menos ajudar a “reduzir os desperdícios”.

Rui Lopes com um exemplo dos sensores desenvolvidos pela Forging instalados no palco Mundo do Rock In Rio

Rui Lopes nasceu em Pombal, mas esteve 12 anos na Suiça, o percurso académico regulamentar foi feito no concelho, mas quando chegou a hora das decisões, o jovem de 35 anos não teve dúvidas e viu na Engenharia Física, que frequentou na Universidade de Aveiro, o trilho para os objectivos que tinha traçado para si, e para a realização do sonho que queria concretizar: “ter um laboratório de desenvolvimento tecnológico”.
Pelo caminho percorreu o mundo, trabalhou em algumas da maiores cidades europeias e laboratórios mundiais, criou laços com outros ‘cientistas’, consolidou conhecimentos, enriqueceu o currículo e regressou a Portugal. Inicialmente fixou-se em Lisboa, mas “a agitação das grandes cidades já esta a tornar-se muito exaustivo”. O ‘sonho’ nunca foi esquecido, foi antes “adiado”, até que um acidente de viação lhe trocou as voltas e o aproximou da concretização.
Pode parecer uma história dramática, mas se for vista por uma perspectiva mais abrangente pode contar um caso que se prevê de sucesso. “Quando ia para Lisboa, sofri um grave acidente de viação, que me obrigou a abrandar o ritmo”, conta o empreendedor, em jeito de epifania resolver “fazer um ano sabático”, para consolidar ideias e traçar alguns planos, “quanto descansava” e recuperava. A ideia do laboratório de desenvolvimento tecnológico não lhe saia da cabeça, e com algum tempo livre, muita dedicação e bastante perseverança decidiu arregaçar as mangas e criar a ‘Forging’, Um projecto inovador, centrado “na área de Investigação e Desenvolvimento”, onde é feito “desenvolvimento de produto e desenvolvimento de inteligência artificial aplicada à industria”.
Fundada em Abril deste ano, e fixada no Parque Empresarial do Camporês, a Forging não se deixa enganar pela ‘idade’ e já conseguiu amealhar um vasto leque de parceiros com quem está a cooperar. Logo para começar, as primeiras ‘’experiências’ foram desenvolvidas no Palco Mundo, do Rock in Rio, que se realizou em Junho deste ano, e tem firmada uma parceria com a NVIDIA Inception, um programa de aceleração virtual que ajuda as startups durante estágios de desenvolvimento, prototipagem e implementação de produtos, e onde “cada membro obtém um conjunto personalizado de benefícios contínuos, desde de descontos para a aquisição de hardware e apoio no marketing até formação com especialistas”. Mas a mais recente novidade é a parceria com a Telespazio, “uma empresa multinacional de serviços espaciais com sede em Roma, Itália”, e que vai permitir a implementação de um dos projectos em que Rui Lopes está a trabalho, uma plataforma digital automatizada para ajudar pequenos agricultores fazendo uso do satélite Sentinel-2 lançado sobre o programa Europeu Copernicus, e que “ira permitir uma melhor gestão de recursos e menos desperdício para os agricultores”, de forma a garantir “maior efectividade no processamento de variáveis”. E se não houver desperdício, há mais produto a circular, o que pode significar uma ajuda na realização do sonho do jovem empreendedor, em “acabar com a fome no mundo”, diz em tom de brincadeira. Neste projecto idealizado pela Forging esta, também, inserido a DGADR e FedaCova.

Já imaginou um sensor que depois de colocado num determinado equipamento é capaz de prever uma possível avaria dias, “ou semanas”, antes que esta aconteça? 

Falando em desperdício e voltando um pouco atrás na história desta startup, Rui Lopes explica o conceito desenvolvido para um dos maiores eventos musicais a nível nacional, e na forma como pode ser adaptado à indústria. Ora vejamos, já imaginou um sensor que depois de colocado num determinado equipamento é capaz de prever uma possível avaria dias, “ou semanas”, antes que esta aconteça? Que benefícios pode trazer esta tecnologia às empresas? O conceito fala por si, mas Rui Lopes salienta “os custos que uma avaria pode representar para uma empresa, que tem que parar a sua produção até que chegue uma nova peça, podem ser avultados, mas se soubermos que devido a um determinado padrão de funcionamento essa peça vai avariar dentro de dias, podemos antecipar-nos na reparação ou na encomenda de uma que vá substituir a antiga”, uma mais-valia que “pode fazer uma diferença substancial nos lucros anuais dessa mesma empresa”. Dá que pensar, mas é este tipo de solução que a tão falada ‘Industria 4.0’ pretende desenvolver.
A Forging já assegurou um incentivo do Portugal 2020 Centro, “no valor de 600 000 euros”, para a “compra de equipamento” que lhe vai permitir adquirir um “sistema de processamento de dados topo de gama da NVIDIA”, é que esta ‘magia’ não se faz com equipamentos de trazer por casa, e tem outras candidaturas abertas e à espera de aprovação, no entanto o jovem mostra-se “confiante”.

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Nasceu em 1985, estudou Comunicação Social na Escola Superior de Educação de Coimbra e participou num curso de formação em Jornalismo e Crítica Musical. Passa os dias a ouvir música, adora assistir a concertos e sonha viajar pelo mundo com uma mochila às costas.