Filarmónica Artística Pombalense: 150 anos de juventude

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Fundada a 16 de Outubro de 1867, a Associação Filarmónica Artística Pombalense celebrou a este ano 150 anos. Durante este percurso resistiu a guerras, crises económicas, revoluções mas manteve-se sempre focada em promover o estudo, a defesa e a divulgação da música e das artes.

Numa instituição com esta idade é curioso olhar para a equipa técnica, direcção, e executantes, e perceber que média etária é inversamente proporcional. Com “uma média a rondar os 20 anos”, explica orgulhosamente Carla Longo, presidente da direcção.
E se ainda se pode pensar que isto das “filarmónicas” é coisa para os velhos, a ideia não pode estar mais errada. Na Filarmónica Artística Pombalense (FAP) é tudo pensado para “cativar os jovens”. Para isso, renova-se constantemente o repertório que acaba por se adequar ao corpo de executantes, e que pode ir “do pop-rock até à música clássica”, e que atrai o público pela “ligação” mais próximas.
“Muitas pessoas ainda não sabem o que são as Filarmónicas”, hoje em dia, “e têm a imagem errada de que apenas tocamos em marchas de rua, ou em festas religiosas”, bem pelo contrário, “quem vai pela primeira vez a um concerto nosso sai de lá surpreendido”, revela a presidente.

A média de idades dos integrantes da banda rondam os 20 anos: O executante mais novo tem 11 anos

Para incentivar o gosto pela música cada vez mais cedo, a FAP criou um projecto onde “acompanhamos as crianças nos jardins-de-infância e nas creches”, porque “achamos importante que os mais pequenos tenham um contacto com a música desde cedo”. Com a vantagem de impulsionar a continuação deste gosto na academia de música que esta instituição também disponibiliza. A Escola de Música lecciona iniciação prática musical, formação, instrumentos de sopros e quase todos os outros instrumentos utilizados pela orquestra. A Filarmónica no Jardim de Infância leva música ao ouvido de mais de 200 crianças, distribuídas por várias ‘escolinhas’ da freguesia de Pombal.
Para além de se fazer música, na FAP também se dança, e a FAPdança é mais uma das valências apresentadas por esta Filarmónica, que disponibiliza a aprendizagem de zumba, danças contemporâneas, danças orientais, latinas, capoeira, flamenco, ou quizomba a mais de 50 alunos com idades que vão dos 3 aos 40 anos.
Se é notória a preocupação pelos mais jovens, esta instituição centenária também não esquece os mais velhos e por isso lançou-se a mais um desafio com a criação de uma nova valência: a FAPsaúde, que tem na mira o desenvolvimento da motricidade e a actividade física, com um foco virado para a fisioterapia funcional dedicada à terapia pelo movimento, e também já desenvolveu workshops voltados para a musicoterapia, uma modalidade que utiliza a música e/ou dos seus elementos (som, ritmo, melodia e harmonia) num processo de facilitação e promoção da comunicação, relação, aprendizagem, mobilização, expressão, organização e outros objectivos terapêuticos relevantes, no sentido de alcançar necessidades físicas, emocionais, mentais, sociais e cognitivas.
Por altura da celebração do aniversário, a FAP teve direito a casa cheia, num concerto que se realizou no auditório principal do Teatro Cine de Pombal, a 21 de Outubro. Para a presidente, que também dá música na banca, com um saxofone barítono, “é muito gratificante ver uma sala cheia para assistir à nossa actuação. Só pode significar que estamos a trabalhar bem, e que todo o nosso esforço e dedicação é reconhecido”. Esforço e dedicação são precisamente os ingredientes que Carla Longo aponta como os ingredientes para o sucesso da Filarmónica Artística Pombalense. “Não é fácil para os jovens verem os seus amigos a ir para a praia num domingo de calor, ou a irem beber um copo a um sábado à noite e eles optam por ir actuar debaixo de sol, ou despender o seu tempo livre nos ensaios”, isto só “demonstra que temos uma equipa muito unida e cheia de vontade de fazer sempre melhor”.
Sempre com um orgulho no passado, a FAP prefere olhar para o futuro, e como presente de aniversário a presidente não tem dúvidas do presente que gostaria de receber: “que seja possível celebrar pelo menos mais 150 anos”, com outros, claro!

A FAP inaugurou o edifício sede em Junho de 2007: A presidente aponta este momento como “um ponto de viragem”

Carla Longo também não tem dúvidas ao apontar a inauguração do edifício sede, em Junho de 2007, como um ponto de viragem, “que nos permitiu alargar a nossa oferta de serviços à comunidade e que nos deixou crescer”. Agora, pensa-se numa série de outras actividades, como a organização das Festas do Santo Amaro, que se celebram no início do próximo ano, acções de formação e workshops, convívios abertos à comunidade, ou actividades desportivas. Com 150 anos, ninguém diria que ainda tem esta energia.

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Nasceu em 1985, estudou Comunicação Social na Escola Superior de Educação de Coimbra e participou num curso de formação em Jornalismo e Crítica Musical. Passa os dias a ouvir música, adora assistir a concertos e sonha viajar pelo mundo com uma mochila às costas.