Campeã Nacional de Xadrez colabora com Oficina Criativa da Fabrikarts

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A WFM Ana Baptista foi uma das promessas jovens portuguesas que se concretizou ao longo dos anos: desde pequena que começou a jogar, e apresenta um curriculum invejável ao nível da modalidade: arrecadou um 5.º lugar no escalão sub-10 no Campeonato Mundial, foi por diversas vezes Campeã Nacional Absoluta nos escalões jovens, venceu o 1.º lugar do pódio no Campeonato da União Europeia no escalão de sub-14 e já alcançou por duas vezes o título de Campeã Nacional Feminina. A Ana já representou Portugal várias vezes na Olimpíada, e agora prepara-se para colaborar com a Oficina Criativa da Fabrikarts, uma “excelente iniciativa” onde se “valorizam os atletas”.

 

Quando descobriu esta paixão pelo xadrez? 
Aos sete anos, na escola primária onde havia aulas de xadrez, com o professor Luís Reynolds. Fiquei curiosa, experimentei assistir a uma aula e gostei.

A WFM Ana Baptista é presença assídua no Open Internacional de Pombal. Porquê?
Acho o conceito de reunir o xadrez com outras artes muito interessante (e único, em Portugal). Para além de que, é sempre uma prova competitiva. Juntando a isto o facto de me sentir “em casa”. Sou sempre muito bem recebida. Refiro-me às condições que me são proporcionadas enquanto jogadora, mas também à amizade do Jorge.

Quais as principais qualidades para ser um xadrezista de bom nível?
Gosto pelo xadrez, uma grande capacidade de trabalho, talento e espírito competitivo.

A “Oficina Criativa” continua a está com o homenagear grandes figuras do xadrez nacional. O que acha desta iniciativa?
Demonstra carinho pelos jogadores, valorização e dá uma excelente visibilidade à modalidade. Enquanto xadrezista, tenho muito a agradecer a esta iniciativa.

“Conhecer Pombal à boleia de um xeque mate” é um conceito que pretende divulgar Pombal, suas gentes, comercio, gastronomia e todas as forma de arte. O que pensa conceito?
Mais uma grande iniciativa do Jorge, que dá visibilidade a muito do que existe de bom e atrai mais pessoas a Pombal. Penso que deveria haver todo o interesse em apoiar esta iniciativa.

Jorge Barrento um grande impulsionador do xadrez em Pombal, realizou uma parceria com a Fabrikarts. Uma das suas opostas é na vertente Chess vs Arte, o que pensas deste conceito inovador?
Sem dúvida inovador, pelo menos em Portugal. É um projecto muito interessante, que tem tudo para dar frutos e que pode ser muito útil aos artistas locais que podem ter desta forma uma “montra” para o seu trabalho, aos pombalenses que podem assim ter facilmente acesso a exposições de arte variadas e ao xadrez e a todos os que visitem Pombal.

Já diz a velha máxima do povo “Santos da casa não fazem milagres”. Qual a imagem do Jorge na panorâmica nacional? Tendo até em conta que realiza estes eventos sem apoios.
Penso que há um consenso em relação ao seu dinamismo, criatividade, persistência e paixão pelo xadrez, que junta ao gosto pelas Artes em geral.

Qual a sua opinião sobre o xadrez nacional?
Não é dos desportos cuja prática seja mais tradicional e não é fácil a profissionalização em Portugal. Mesmo com orçamentos baixos, vão surgindo excelentes iniciativas de apaixonados pelo xadrez que mantém a modalidade viva.

Qual a pergunta que gostaria de responder?
Como se sentiu ao ganhar o Europeu, em Riga?

A Ana Baptista foi desafiada a desenvolver projectos em Pombal. Além do saber que mais valias poderá trazer para Pombal?
A paixão pelo xadrez, o gosto por ensinar e a minha colaboração em iniciativas ligadas ao xadrez, quer seja participando directamente ou contribuindo com novas ideias.

A Oficina Criativa da Fabrikarts está a tentar trabalhar com as grandes figuras do xadrez nacional. Que pensa sobre isto?
Excelente iniciativa que ao mesmo tempo que valoriza os atletas pode receber o seu contributo/conhecimento/experiências e desta forma ter melhores iniciativas e atrair mais pessoas.

Que projectos gostaria de realizar?
Tenho alguns projectos ligados ao xadrez em mente, algumas ideias, incluindo em Pombal, mas tudo ainda no início.

O xadrez no distrito de Leiria recomenda-se?
Sem dúvida e cada vez mais. Vejo grandes iniciativas e dinamismo, não só da parte do Jorge. Destaco, por exemplo, o Museu do Xadrez e o clube Corvos do Lis que está a apoiar bastante os jovens xadrezistas, apostando na formação.

Recentemente participou no Campeonato da Europa Feminino que se realizou em Riga. O que nos pode dizer sobre a sua participação?
Foi uma participação dentro do que era esperado, sem grandes surpresas.

Em Portugal dão o devido valor a um xadrezista?
Quando comparado com outras modalidades, não.

Pombal quer apostar nos jovens e na formação dos professores. No bom caminho?
Claro que sim. A aposta no xadrez é sempre uma boa decisão. A prática desta modalidade, seja em que idade for, é sempre muito benéfica, particularmente para os jovens, é muito importante para o seu desenvolvimento cognitivo e social. E se pensarmos no quão baixos são custos do seu ensino e prática… É incrível a relação benefícios-custos do xadrez.
Para finalizar, quais as ambições da Ana nesta caminhada xadrezista?
Actualmente as minhas ambições quanto ao xadrez passam não só pela prática, mas também pelo ensino. Enquanto jogadora, pretendo recuperar e superar o nível de jogo que tive há uns anos atrás, sendo que o primeiro objectivo passa por chegar aos 2200 de ELO.

Na vertente do ensino, espero estar sempre a melhorar e a ter cada vez mais alunos e a passar o meu gosto pelo xadrez e os meus conhecimentos