Alitém presta homenagem ao artista plástico Jorge Gameiro

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Falecido a 6 de Agosto deste ano, Jorge Gameiro deixa um espólio muito rico e importante para a cultura. O artista é responsável pela criação dos Olharapos que animaram a Expo’98, e que agora vão ficar ao cuidado da União de Freguesias de Santiago e São Simão de Litém e Albergaria dos Doze.

Manuel Nogueira Matos, à direita, entregou uma medalha de reconhecimento à família do autor dos famosos Olharapos

O presidente da União de Freguesias de Santiago e São Simão de Litém e Albergaria dos Doze, Manuel Nogueira Matos, entregou, esta segunda-feira, 1 de Outubro, uma medalha da freguesia à família de Jorge Gameiro, num “gesto simbólico” de reconhecimento pela doação de vários elementos do seu espólio, onde se encontram a colecção de Olharapos, que animaram a Expo’98.
Os Olharapos eram um grupo musical que desfilava pelo recinto todos os dias, uma espécie de monstros simpáticos, outros nem tanto, sobre rodas, meio humanos e meio animais, com um, dois ou três olhos. Deambulavam de manhã à noite surpreendendo o público e com ele interagindo, num espectáculo incrível de ver, pela sua estranheza, destreza e originalidade. Foram criados por Jorge Gameiro, escultor, cenógrafo, figurinista e director de arte, trabalho em cinema, teatro, museus e parques temáticos, natural de Palmeira, na União das Freguesias de Santiago e São Simão de Litém e Albergaria dos Doze. O artista faleceu a 6 de Agosto deste ano, e a família revela agora que pretende dar continuidade ao desejo de Jorge Gameiro, e mostra-se disponível para doar o seu património artístico à freguesia que o viu nascer.
Para o autarca, o escultor Jorge Gameiro “deixa um património muito rico, e conhecido a nível nacional e internacional”, que “é muito importante para o concelho”, por isso revela que a “intenção é a de trazer a Câmara Municipal a participar na preservação das figuras [doadas]”, sendo que “estamos autorizados a utiliza-las nos eventos concelhios”, e até já “há a ideia de utilizar os Olharapos num evento próximo do final do ano”, mas os detalhes sobre esta iniciativa terão de ficar para mais tarde.
“O Jorge era uma figura natural da freguesia, que se lembrou das suas raízes, e por este aparecimento e desaparecimento rápido, torna a dádiva ainda mais importante”, destaca o edil, revelando que a ideia é dar projecção ao trabalho realizado por Jorge Gameiro durante a sua vida.
Para Cíntia Low-Gameiro, filha do artista plástico, “esta é uma forma de cumprir um desejo do meu pai”, que não escondia a intenção de deixar o seu “legado” no sítio que o viu nascer. “Ele ficou muito impressionado com toda a ajuda que recebeu”, e com a “disponibilidade que demonstraram”, por isso acredita que a sua obra “vai ficar bem entregue”. A jovem revela que “a população percebeu muito bem o trabalho dele” e pensa agora em “juntar as várias fases do trabalho dele”, e da sua carreira “para ficarem num sítio que lhe dizia tanto”.
Também para Jane Low-Gameiro, esposa do escultor, “a ideia é criar um espaço digno do seu trabalho”, e que possa “incentivar os jovens” para projectos futuros. “O Jorge era uma pessoa que dava muito valor ao artesanato português, e que acreditava que Portugal podia ser um dos maiores produtores mundiais de cenários para cinema, e outros artefactos para a indústria do cinema”, revela.
Para além destes monstros inesquecíveis, Jorge Gameiro estava também a desenvolver outro projecto na antiga escola primária de Junceira, na mesma União das Freguesias: trata-se de um museu de cera onde se conta a História de Portugal em 17 cenas. Para já este museu ainda se encontra em fase de preparação, mas por lá já se podem ver diversas figuras emblemáticas da história do país. Segundo o autarca a ideia é “dignificar o espaço e dar-lhe as condições necessárias para que possa receber visitantes”, uma solução que tem como objectivo “atrair turismo à região”.